Por Marco Anônio Messere Gonçalves

O mercado de seguros avançou de forma significativa nos últimos anos. A ampliação da oferta e a simplificação da contratação tornaram os produtos mais acessíveis e presentes no dia a dia do consumidor. Esse movimento é positivo, mas traz consigo um desafio importante: garantir que a proteção contratada esteja, de fato, alinhada ao risco assumido.

Em diversas linhas de seguro, especialmente vida, residencial e auto, observa-se um crescimento de apólices mais enxutas, desenhadas para atender a critérios de preço e praticidade. Essas soluções cumprem um papel relevante, mas exigem atenção. Nem sempre simplicidade significa adequação.

No seguro de vida, por exemplo, o capital contratado pode ser suficiente para uma necessidade básica, mas não necessariamente para assegurar estabilidade financeira em cenários mais complexos. A ausência de coberturas complementares ou a subestimação do valor necessário pode limitar o alcance da proteção ao longo do tempo.

No seguro residencial, a popularização do produto ampliou o acesso, mas também reforçou confusões recorrentes, como a diferença entre assistência e cobertura indenizável. Além disso, capitais segurados defasados frente ao custo de reconstrução e limites pouco ajustados aos riscos atuais comprometem a efetividade da apólice.

O seguro auto segue lógica semelhante. Apólices mais ajustadas ajudam a reduzir o prêmio, mas transferem parte do risco ao segurado, especialmente em franquias elevadas ou limites reduzidos de responsabilidade civil. Trata-se de uma escolha válida, desde que feita com clareza e consciência.

Até mesmo o seguro viagem, cada vez mais comum, ainda é contratado muitas vezes sem uma avaliação adequada de limites, exclusões e modelo de atendimento. Nesses casos, a proteção existe, mas pode não corresponder à expectativa do segurado.

Seguro não é apenas um contrato. É um instrumento de gestão de risco. Quando bem dimensionado, cumpre seu papel de forma eficiente e previsível. Quando mal ajustado, pode gerar frustração, dúvidas e conflitos desnecessários.

Em um cenário de riscos mais complexos e interconectados, a discussão central não está no preço ou na simplicidade, mas na adequação da cobertura à realidade do segurado. Porque, no fim, seguro bom não é o mais barato nem o mais completo. É aquele que foi pensado, estruturado e dimensionado corretamente.