Por Marco Antônio Messere Gonçalves
O Open Insurance foi apresentado como uma das maiores transformações estruturais do mercado de seguros nas últimas décadas. A proposta é ambiciosa: permitir o compartilhamento padronizado de dados, com consentimento do cliente, criando um ambiente mais aberto, competitivo e centrado no consumidor.
Na prática, porém, o que se observa até aqui é um processo mais gradual e menos disruptivo do que muitos imaginaram.
O avanço do Open Insurance Brasil certamente vai trazer ganhos importantes em termos de padronização, governança e construção de infraestrutura. APIs foram estruturadas, jornadas começaram a ser testadas e o tema passou a fazer parte da agenda estratégica das companhias.
Mas transformação estrutural não acontece apenas com tecnologia. Ela depende de mudança de comportamento, de cultura e modelo de negócio e, principalmente, de geração de valor percebido pelo cliente.
E é justamente nesse ponto que o desafio se impõe.
O consumidor médio levará tempo para entender o Open Insurance, perceber claramente seus benefícios. A promessa de portabilidade, personalização e ampliação de acesso ainda não se materializou de forma evidente na ponta.
Isso não significa que o Open Insurance não vá transformar o mercado. Significa apenas que essa transformação será diferente do discurso inicial.
Menos ruptura imediata, mais evolução progressiva. Menos substituição de modelos, mais integração entre eles.
E, nesse contexto, o papel do corretor tende a ganhar ainda mais relevância. Em um ambiente mais complexo e com mais informação disponível, a curadoria, a orientação e a confiança continuam sendo ativos decisivos.
O Open Insurance não elimina intermediários. Ele exige intermediários mais preparados.